Pular para o conteúdo principal

Papo sério: a violência psicológica contra homossexuais na universidade


Num curso de economia de certa universidade federal, determinado professor perde a paciência com as conversas paralelas entre os alunos e pede, irritado: “vamos parar com a viadagem!”. Nenhum aluno parece se importar com a escolha de termo do professor, com exceção, é claro, do único estudante homossexual da turma, que se sente visivelmente constrangido. No trote do curso de direito, realizado no prédio ao lado, o 24º classificado no vestibular recebe uma faixa de “bixo viado”, sob aplausos e gritos dos colegas. Situações como essa fazem parte da vida acadêmica e, surpreendentemente, ninguém parece se importar.

Enquanto a violência física é condenada pela comunidade universitária de forma quase unânime, a violência simbólica – como apelidos e piadas – não é considerada uma questão grave. Para o estudante de publicidade Matheus Correa, de Goiânia, a gozação entre estudantes é normal e até saudável. “Não considero uma forma de preconceito”, ele afirma. Prática que já é combatida no ensino básico, o bullying psicológico prolifera incólume nos cursos de graduação.

Carla Schneider, que já foi professora do departamento de comunicação da Universidade Federal de Pelotas, conta que o preconceito existe mesmo entre os professores. Ela diz que já ouviu membros do corpo docente fazendo comentários maldosos sobre estudantes que pareciam “afeminados”. Já Myra Gonçalves, professora do curso de extensão em fotografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, alerta para a disseminação silenciosa do preconceito em sala de aula: “já presenciei casos de que alunos são discretamente isolados pelo restante do grupo por causa de sua orientação sexual”.


A violência psicológica entre alunos e professores pode levar desde a depressão e a evasão escolar até tragédias maiores, como a violência física e o suicídio. A universidade, enquanto espaço de reflexão, ao fechar os olhos para a problemática, legitima a homofobia, prática hedionda que tanto lutamos para combater no cotidiano.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

IMPRENSA GAY: Será que ela é?

No Brasil, a imprensa especializada no segmento gay ainda não é tão desenvolvida como nos Estados Unidos e outros países do globo. Enquanto pelos lados de lá pipocam publicações voltadas para este público e a cada dia que passa se fortalecem mais, por aqui ainda temos muito o que construir e conquistar.
No que se refere à existência de jornais e revistas brasileiros voltados para este público, a história é bastante complexa e rende várias versões, mas todas parecem concordar que os primeiros periódicos gays de que se tem notícia surgiram na década de 1960. Tais periódicos eram quase sempre artesanais, de circulação restrita e efêmeros, entretanto seu aparecimento foi de grande importância para abrir outras possibilidades de pensar o homossexual, numa época em que a repressão e o conservadorismo davam o tom.
O tempo passou, muitas coisas mudaram, começou-se a falar de um chamado mercado gay e algumas publicações foram criadas para tratar do segmento. Atualmente, temos duas revistas de ci…

Entenda o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006

Nos últimos 30 anos, o Movimento LGBT Brasileiro vem concentrando esforços para promover a cidadania, combater a discriminação e estimular a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A partir de pesquisas que revelaram dados alarmantes da homofobia no Brasil, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), juntamente com mais de 200 organizações afiliadas, espalhadas por todo o país, desenvolveram o Projeto de Lei 5003/2001, que mais tarde veio se tornar o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006, que propõe a criminalização da homofobia.

O projeto torna crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero - equiparando esta situação à discriminação de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, sexo e gênero, ficando o autor do crime sujeito a pena, reclusão e multa.

Aprovado no Congresso Nacional, o PLC alterará a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, caracterizando crime a discriminação ou preconceito de gênero, s…

Kamasutra Gay

Chega de acreditar e aceitar que o sexo só é válido e lícito se tiver como objetivo a reprodução da espécie. Homossexuais desejam exercer sua sexualidade e as diferentes forma de desfrutá-la, almejam alcançar liberdade de prazer que o corpo tem direito a desfrutar.
Nosso corpo possui certos pontos facilmente identificados quando estimulados. São as chamadas zonas erógenas, que aumentam as possibilidades de prazer até limites insuspeitáveis. Entre elas estão: a glande, o saco escrotal, os mamilos, além do pescoço, orelhas, nádegas e ânus.
Umas das práticas indispensáveis do sexo entre homens é o sexo oral. De acordo com Alicia Gallotti, autora do livro Kama Sutra Gay – Para desfrutar o máximo da sexualidade, o prazer que o sexo oral proporciona é um dos maiores que se pode sentir e oferecer. “O contato da boca e da língua úmida aumenta a excitação do que está sendo lambido, beijado e chupado, e também daquele que sente na boca a potencia da ereção e o contato do pênis tenso e sua glande…